“Poderia ser meu pai”, diz mulher que atendeu idoso no chão em UPA

Ananias Ribeiro Ananias Ribeiro

A técnica de enfermagem Polyena Silveira desabafou nesta sexta-feira, dia 19, após atender um paciente que veio a óbito no chão da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Promorar, na zona sul de Teresina.

“O que está acontecendo? Poderia ser meu pai, minha mãe, poderia ser meu filho”, falou Polyena. Ela contou que foram feitos seis ciclos de reanimação na vítima, que não resistiu. A técnica em enfermagem disse que mesmo sem leito e equipamentos os profissionais fizeram o possível para salvar a vida do homem de 86 anos.

“Eu faço parte da equipe que recebeu o paciente ontem. Ele deu entrada em parada cardiorrespiratória, não tínhamos leitos, não tínhamos monitor, não tínhamos ventilador, mas o que podíamos fazer foi feito. A gente está com essa falta de equipamentos, não porque não tenha, mas porque a demanda de pacientes é muito alta e, consequentemente, vai faltar, como já está faltando”, disse Polyena.

“Se não for uma saída essencial, que em casa. Fique em casa por mim, que sou profissional da saúde, pelos meus amigos que estão sofrendo a cada paciente que a gente recebe e não temos onde colocar. Estamos sofrendo junto com a família daqueles pacientes que estão lá fora esperando uma alta, uma transferência e até mesmo um óbito para poder ocupar o lugar”, completou a médica da UPA do Promorar.

O caso.. Um homem morreu no chão na tarde desta quarta-feira, dia 17, por falta de leito na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Promorar, na zona sul de Teresina.

O paciente estava com problemas respiratórios e sofreu uma parada cardíaca. Os profissionais de saúde tentaram reanimá-lo, sem sucesso. Em nota, a Fundação Municipal de Saúde (FMS) afirmou que o paciente chegou em estado grave, trazido nos braços por um parente, e que a equipe de plantão fez manobras de reanimação enquanto era providenciada uma maca na UPA.

A FMS afirmou ainda que todas as salas da unidade estavam ocupadas, inclusive os leitos extras. Além disso, segundo a FMS, devido à gravidade, não era possível interromper o processo de ressuscitação cardíaca feito no chão da UPA.

Sem espaço.. O presidente da Fundação Municipal de Saúde (FMS), médico Gilberto Albuquerque, falou na manhã desta sexta-feira, dia 19, sobre a morte de um paciente no chão da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Promorar, na zona sul de Teresina.

“É um paciente que teve uma complicação respiratório no domicílio e foi socorrido por um parente. Parente esse corajoso que adentrou ao hospital com esse paciente nos braços. Quando você chega em um hospital com um caso de emergência, você vai direto para uma sala vermelha. Sala vermelha é a que tem um espaço onde você tem os melhores equipamentos e a equipe treinada. Infelizmente no momento em que ele chegou o espaço que é para quatro pessoas nós tínhamos 10“, disse Dr. Gilberto.

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Jornalista e acadêmico de Direito. Editor do portal PI24h. Foi repórter do Portal AZ, 180 Graus e editor do Portal Meio Norte. Editor de política do Jornal Meio Norte. Apresentador e comentarista de política na Rede Meio Norte.

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