- PF vê Alcolumbre como 'provável alvo estratégico' de Mendonça no caso Master
- Relatório sem valor probatório embasa despacho de Moraes contra colega do STF
- Fachin dá 5 dias para Mendonça, Moraes e PGR se manifestarem no caso
A Polícia Federal avalia, em relatório de inteligência enviado ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, que o senador Davi Alcolumbre (União-AP) “constitui provável alvo estratégico” de investigações conduzidas pelo ministro André Mendonça no Caso Master. O documento, sem valor probatório, embasou despacho de Moraes de 5ª feira (3.set.2026).
- O que diz o relatório de inteligência da PF: A Polícia Federal produziu relatórios de inteligência para analisar a atuação do ministro André Mendonça, do STF, em investigações sob sua relatoria no caso Master. O material foi enviado ao ministro Alexandre de Moraes, que o citou em despacho encaminhado a 5ª feira (3.set.2026) ao presidente do Supremo, Edson Fachin.
- Mendonça teria avançado em investigação: Na abertura da análise, a PF sustenta que Mendonça teria avançado sobre ações que deveriam ser exclusivas da investigação. Segundo o relatório, esse avanço “deixou o plano da percepção e passou a constar de registro documental próprio”. A corporação também vê indícios do que chama de assimetria de tratamento conforme os alvos.
- Peças não tem valor probatório: Os documentos, porém, registram a própria limitação: são peças de inteligência, sem valor probatório, produzidas em ambiente de informação incompleta e que trabalham com hipóteses. As fontes indicam ainda que o material, de cerca de 50 páginas, não traz assinatura de um responsável específico.
- Alcolumbre como ‘provável alvo estratégico’: Em um dos relatórios, a PF levanta a hipótese de que o presidente do Senado seria um “provável alvo estratégico”. No despacho, Moraes reproduz a avaliação: “Avalia-se que Davi Alcolumbre constitui provável alvo estratégico, considerada sua força política, o favoritismo para manter-se na presidência do Senado Federal e o consequente controle da pauta daquela Casa, notadamente quanto ao processamento de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal”.
- Mendonça e Alcolumbre tiveram divergências: O relatório cita ainda o histórico de divergências entre os dois. De acordo com a PF, Alcolumbre foi um dos principais obstáculos à indicação de Mendonça ao STF durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Nesse ponto, o próprio documento afirma trabalhar com hipótese de inteligência — não afirma ter comprovado que Mendonça tenha usado uma investigação para atingir o senador.
- Contexto: a disputa entre Mendonça e Moraes: O relatório integra a reação de Moraes contra Mendonça. A tensão entre os dois se agravou depois que Mendonça retirou o sigilo de peças que expuseram mensagens entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, no caso Banco Master. No despacho, Moraes afirma que os elementos levantados podem configurar improbidade administrativa, crime de responsabilidade e abuso de autoridade.
- Fachin abriu prazo para manifestação em 5 dias: Fachin abriu novo procedimento e determinou que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, se manifestem em 5 dias úteis. Até a publicação, Mendonça não havia se pronunciado sobre as conclusões do relatório.