Vereadora é condenada a 19 anos por compra de votos em Teresina

Tatiana Medeiros perde mandato; outras 7 pessoas foram condenadas

Redação PI24h
  • Vereadora de Teresina pega 19 anos de prisão por comprar votos em 2024
  • Justiça Eleitoral aponta R$ 2,1 milhões em movimentações sem lastro fiscal
  • ONG Vamos Juntos foi usada como fachada para recrutar eleitores carentes

A vereadora de Teresina Tatiana Medeiros (PSB) foi condenada na 2ª feira (27.abr.2026) a 19 anos, 10 meses e 7 dias de prisão por compra de votos nas eleições de 2024. A Justiça Eleitoral também decretou a perda do mandato e a proibição do exercício de cargos públicos. Ela está presa desde 3 de abril de 2025 e responde pelos crimes de organização criminosa, corrupção eleitoral, peculato-desvio, falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro.

  • Esquema de compra de votos liderado por vereadora de Teresina: A sentença da Justiça Eleitoral aponta Tatiana Medeiros como líder de um grupo que comprava votos nas eleições municipais de 2024. Segundo a decisão, ela distribuía funções entre os integrantes e estabelecia critérios para a operação do esquema.

  • Mensagens usadas como provas em denúncia: Mensagens recuperadas dos celulares dos investigados foram usadas como prova. Os arquivos incluíam exigência de comprovantes de votação e listas organizadas por zona e seção eleitoral, com anotações como “pago/PIX/ok” ao lado dos nomes.

  • Instituto funcionava como fachada eleitoral: A investigação concluiu também que o Instituto Vamos Juntos, ONG que prestava serviço a comunidades carentes e recebia recursos públicos, funcionava como fachada eleitoral. No local, famílias supostamente atendidas eram recrutadas para votar na vereadora.

  • Reação da defesa e da Câmara de Teresina: A defesa de Tatiana Medeiros disse que a sentença é “absolutamente injusta” e que vai recorrer. A Câmara Municipal de Teresina informou que ainda não foi notificada oficialmente da decisão e, por isso, não vai se pronunciar.

  • Movimentações bancárias incompatíveis: A Justiça Eleitoral identificou movimentações bancárias superiores a R$ 2,1 milhões entre 2022 e 2024 nas contas da vereadora. No mesmo período, ela declarou renda formal de pouco mais de R$ 33 mil. Trecho da decisão diz: “A análise fiscal apontou, de forma convergente, a existência de créditos não declarados pela investigada […] Um incremento de créditos superior a 300% justamente no ano eleitoral, resultando em mais de R$ 1 milhão em créditos desprovidos de lastro documental”.

  • Outros sete condenados pela Justiça Eleitoral: Foram condenadas mais 7 pessoas, entre elas o namorado, a mãe, o padrasto, a irmã e a assessora da vereadora, além de 2 funcionários da ONG. As penas vão de 6 anos e 11 meses a 16 anos e 8 meses de prisão. Todos devem pagar, em conjunto, multa mínima de R$ 1 milhão por reparação de danos.

  • Cunhado absolvido por falta de provas: O cunhado de Tatiana, Lucas de Carvalho Dias Sena, foi absolvido das acusações de organização criminosa e corrupção eleitoral por falta de provas de autoria. O período em que Tatiana e o namorado, Alandilson Cardoso Passos, estão presos — 1 ano e 24 dias — será contabilizado como pena cumprida. A defesa informou que vai recorrer da sentença.





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