- Operação Macondo cumpre 15 prisões e bloqueia R$ 5 milhões no Piauí
- Grupo de colombianos e venezuelanos cobrava juros de até 30% ao mês
- Polícia investiga homicídios, extorsões e ameaças ligados à rede criminosa
A Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) deflagrou, nesta terça-feira (11), a Operação Macondo, para combater uma rede internacional de agiotagem e lavagem de dinheiro que atuava em várias cidades do estado. Foram cumpridos 15 mandados de prisão, 18 de busca e apreensão e determinado o bloqueio de R$ 5 milhões de contas ligadas ao grupo no Piauí.
O Que Aconteceu
- Ação em seis cidades: A Operação Macondo foi deflagrada de forma simultânea nas cidades de Teresina, Parnaíba, Oeiras, Barras, Picos e Água Branca, com objetivo de cumprir mandados judiciais contra suspeitos de integrar uma organização criminosa especializada em agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro.
- Grupo internacional: As investigações revelaram que o esquema era composto, em sua maioria, por estrangeiros da Colômbia e da Venezuela, que atuavam oferecendo empréstimos informais a pequenos comerciantes, ambulantes e trabalhadores autônomos. Os juros cobrados ultrapassavam 30% ao mês, e as vítimas eram obrigadas a pagar valores diários ou semanais sob ameaças e intimidações constantes.

- Métodos violentos: Segundo a Polícia Civil, o grupo utilizava práticas de cobrança agressivas, que incluíam perseguições, destruição de mercadorias e ameaças de morte. Há ainda relatos de desaparecimentos e suicídios de pessoas que não conseguiram quitar as dívidas impostas. Essas condutas colocaram as vítimas em um ciclo de medo e coerção, segundo a SSP-PI.

- Origem das investigações: O trabalho investigativo teve início após o homicídio triplamente qualificado do venezuelano Anderson Miguel Dario Mendoza Marin, ocorrido em dezembro de 2023, em Oeiras. A morte dele e de outras vítimas, incluindo um brasileiro que cometeu suicídio após sofrer extorsão, levaram a polícia a cruzar dados de ocorrências envolvendo estrangeiros em todo o estado, identificando uma rede criminosa transnacional.

- Declarações e impacto: O superintendente de Operações Integradas da SSP, delegado Matheus Zanatta, afirmou que a operação representa um marco no combate a crimes que afetam a dignidade de trabalhadores e pequenos empreendedores, reforçando o compromisso da Segurança Pública em proteger os grupos mais vulneráveis. Já o delegado Yan Brayner, diretor de Inteligência da Polícia Civil, destacou que o modelo de extorsão praticado pelos estrangeiros tem se espalhado pelo Nordeste, exigindo uma resposta coordenada e enérgica.