A sucessão do presidente Enzo Samuel na Câmara de Teresina já movimenta os bastidores e envolve quatro grupos de peso. A Prefeitura de Teresina conta com pelo menos 11 votos: Ana Fidelis, Bruno Vilarinho, James Guerra, Juca Alves, Luís André, Petrus Evelyn, Samuel Alencar, Valdemir Virgino, Zé Neto, Ismael Silva e Aluísio Sampaio — os três últimos, secretários da gestão Silvio Mendes.
O grupo liderado por Enzo Samuel soma sete votos, incluindo os vereadores Carlos Ribeiro, Fernando Lima, Carpejane Gomes, Eduardo Draga Alana, Zé Filho, Leôndidas Júnior e o próprio Enzo. Já o PT também tem sete vereadores, que votam em bloco: Deolindo Moura, Dudu, Elzuila Calisto, João Pereira, Joaquim do Arroz, Venâncio Cardoso e Gustavo de Carvalho. O Palácio de Karnak, por sua vez, tem quatro votos diretos com Daniel Carvalho, Lucy Soares, Fernanda Gomes e Roncallin. Salvo algumas interseções, o cenário é esse na Casa.
Nesse cenário, se destaca como favorito Gustavo de Carvalho, apontado como capaz de unir as três forças: Prefeitura, PT e Karnak. Sua trajetória política é meteórica: eleito em 2016 pelo nanico PEN com 1.997 votos, reeleito em 2020 pelo PSDB com 5.685 votos e, em 2024, renovou o mandato pelo PT com 6.444 votos. Ao ser nomeado pelo governador Rafael Fonteles para a Coordenadoria dos Territórios, Gustavo abriu vaga na Câmara para o suplente Inácio Carvalho, gesto que fortaleceu sua relação com o PT e o colocou em posição estratégica, despachando diretamente com Rafael.
Gustavo de Carvalho deve retornar à Câmara em novembro, pronto para trabalhar de perto sua candidatura, enquanto poderá indicar o filho para assumir sua função no governo estadual. Além disso, tem o apoio do vice-prefeito Jeová Alencar, que, por já ter presidido a Câmara e ser secretário de Governo, será peça-chave na articulação política da Prefeitura.
Com a união dessas três frentes — PT, Karnak e Prefeitura —, Gustavo pode alcançar 22 votos, número suficiente para se consolidar como favorito na disputa pelo comando da Câmara de Teresina.
Hora de Conversar – I
O ministro Wellington Dias fez um movimento calculado ao comentar a indicação do secretário Washington Bandeira como possível vice na chapa de reeleição do governador Rafael Fonteles em 2026. Wellington classificou como legítimo o gesto do governador, mas deixou claro que a decisão não será unilateral. “Assim como outras lideranças, a gente vai, a partir das propostas apresentadas, ter esse diálogo e chegar a uma decisão por entendimento”, disse, em tom conciliador.
Hora de Conversar – II
Nos bastidores, a fala foi lida como um recado a setores do PT que se sentiram excluídos do processo. Eles querem adiar a definição para 2026, mantendo o debate vivo e evitando que a base seja atropelada por uma decisão precoce. Ao reconhecer a legitimidade de Rafael e, ao mesmo tempo, defender a construção coletiva, Wellington tenta equilibrar forças: preserva a autoridade do governador, mas sinaliza que a escolha final precisa passar pelo crivo do partido e dos aliados. No fim, Bandeira ganha fôlego, mas o jogo segue aberto — e a paciência da base ainda será testada até 2026.

Julgamento do Pessoa
O presidente da Câmara de Teresina, Enzo Samuel, quer julgar ano a ano as contas do ex-prefeito Dr. Pessoa. O processo começa na quarta-feira (10), com o exercício de 2021. Na sequência, virão as contas de 2022 e 2023, já reprovadas pelo TCE-PI. Se a Câmara confirmar as rejeições, Dr. Pessoa ficará inelegível até 2031, sendo o 1º a ser punido pela gestão marcada por denúncias e desgastes em Teresina.

Marcelo x PSD
O senador Marcelo Castro minimizou o incômodo no PSD após dividir palanque com Ciro Nogueira na inauguração da adutora em Buriti dos Lopes. “Eu não posso dizer à prefeita quem ela deve ou não convidar. Ciro é senador, representa o Piauí e foi ele quem colocou o recurso para a obra”, disse Marcelo, tentando esfriar a crise com PSD.

Impacto na Base
A candidatura de Tarcísio de Freitas à Presidência pelo Republicanos pode ter impacto na base aliada do governador Rafael Fonteles no Piauí. A questão é: Rafael vai apoiar uma chapa do Republicanos já que Tarcísio estará no campo oposto ao presidente Lula. Com isso, outras siglas da base começam a se movimentar em busca do apoio do governador para acomodar seus aliados e montar chapa para a Câmara dos Deputados.
IPTU e o Lixo
A Câmara de Teresina deve aprovar o projeto que aumenta a base de cálculo do IPTU. O reajuste já havia sido aprovado na gestão Dr. Pessoa, mas não foi implantado por atraso na publicação no Diário Oficial. A votação promete debate: vereadores defendem que a taxa do lixo, cobrada junto com o IPTU, não seja incluída no aumento.


